Eu não me calo... em relação a co-adoção por casais do mesmo sexo

Há uns tempos ouvi de uma pessoa que admiro bastante o seguinte desabafo: "as pessoas são más! e são más para as crianças... estou a perder a esperança nos Homens". O desabafo deixou-me desconfortável, indignada e muito pensativa. Eu não quero acreditar nisto. Não posso ficar indiferente e conformar-me com isto. Eu, pelo menos, posso opinar, falar e gritar (se for preciso). Posso lutar contra isto. 
Ao ouvir e ler várias opiniões sobre a co-adoção por casais do mesmo sexo lembrei-me deste desabafo e de quanto os egos podem insuflar ao ponto de reduzirem o cérebro a um nada. Ao contrário de gentes que vêm tecer argumentos, dizer barbaridades e enaltecer comportamentos contra a co-adoção por casais do mesmo sexo, eu defendo as crianças. Eu especializei-me numa área de e para elas, aprendi o que é bom e harmonioso para o seu desenvolvimento e, se não existem condições ideais, pelo menos tentamos minimizar o seu sofrimento sem preconceitos, dogmas, imposições religiosas, politiquices e outros que tais. Aprendi que todas as crianças devem ser protegidas pela família, pela sociedade e pelo Estado, para que possam se desenvolver fisicamente e intelectualmente. Todas as crianças têm direito a alimentação e ao atendimento médico, antes e depois do seu nascimento. Todas as crianças têm o direito de viver saudavelmente.
A esses que têm na sua natureza opinar sobre tudo, que legislam (ou não), que falam de cor e acabam por misturar conceitos, pergunto: O que são os direitos das crianças? O que é a orientação sexual? O que são as referências masculina e feminina e como se constroem? em que condições? 
Quanto a mim a orientação sexual é uma coisa e capacidade para criar mais um ser humano num ambiente equilibrado, é outra. As referências não tem que ser necessáriamente mãe e pai, podem ser outros (avós, tios, primos, vizinhos, familiares e amigos). A salvaguarda dos direitos da criança que normalmente, e infelizmente, foi abandonada é o que importa numa adoção. Mãe e pai, biológicos ou de adoção, são quem dá o amor, e o carinho necessário ao desenvolvimento de um indivíduo e isso, nós vemos até noutras espécies, sem juízos de valor, sem "moralidade", sem religiosidade, sem legislação ou parecer jurídico e se lhes (às crianças) ensinamos com fábulas, de Mogli, Tarzan ou de Rómulo e Remo, entre outras que o amor filial, paternal, parental é incondicional deixem-se de coisas e deixem "trabalhar" quem tem amor para dar.

5 comentários:

  1. Sem duvida! Como ja escrevi algures por ai a este propósito, as crianças têm o direito a ter uma familia que lhes dê amor e carinho! Ja basta o processo de adopção ser tão moroso no nosso pais!
    Beijinho

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  2. Nem mais...faço voluntariado com crianças á muito....e digo-te, prefiro que sejam criadas por uma "familia" seja ela qual for, existem familias dentro do que se diz "normal"...e fazem mal, não protegem os seus filhos, as suas crianças...

    Bjos

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  3. Brilhante e inspirador!!!
    Parabéns!

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