Contos de fadas

"Existe um sentido mais profundo nos contos de fadas que me foram contados em criança do que na verdade a vida ensina"
Schiller
Para que uma história possa prender verdadeiramente a atenção de uma criança, é preciso que ela a distraia e desperte a sua curiosidade. Mas, para enriquecer a sua vida, ela tem de estimular a sua imaginação, tem de ajudá-la a desenvolver o seu intelecto e esclarecer as suas emoções, tem de estar sintonizada com as suas angústias e as suas aspirações, tem de reconhecer as suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam.

Em toda a literatura infantil nada é mais enriquecedor e satisfatório, quer para a criança quer para o adulto, do que o popular conto de fadas. Num primeiro nível os contos de fadas ensinam pouco sobre as condições da vida da sociedade moderna de massas, pois foram criados muito antes desta sociedade aparecer. Mas podemos aprender muito acerca dos nossos problemas interiores e das soluções adequadas para as nossas exigências em qualquer sociedade, do que em qualquer outro tipo de história que esteja dentro do âmbito de compreensão das crianças.

Uma vez que, em cada momento da sua vida, a criança é exposta à sociedade em que vive, ela aprenderá certamente a lidar com as suas condições, desde que os seus recursos interiores lhe permitam fazê-lo.

A criança precisa da possibilidade de se compreender neste complexo mundo que vai enfrentar e para o poder fazer, tem de ser ajudada a criar um senso coerente no meio do turbilhão dos seus sentimentos. Precisa de ideias sobre como organizar a sua "casa interior" e, nessa base, conseguir dar um sentido à sua vida.

Estas histórias começam onde a criança realmente está, no seu ser psicológico e emocional. Elas falam das suas severas tensões interiores de uma maneira que a criança inconscientemente compreende e proporcionam exemplos de soluções, tanto temporárias como permanentes, para as dificuldades presentes.

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