Adeus chupeta!


À semelhança do que já foi dito, no post “o objecto amigo”, a chupeta pode ser considerada como um objecto transicional, um substituto temporário do seio, que alimenta emocionalmente a criança. É um objecto que ocupa o lugar de uma presença materna enquanto esta não está. No entanto, na individualidade de cada bebé, a chupeta pode representar a mãe que o acalma ou a mãe que não corresponde às suas necessidades e, isso faz toda a diferença na relação da criança com a chupeta. 

O momento certo para tirar a chupeta é quando os pais, presentes e intuitivos, percebem que a criança é capaz de aguentar algumas frustações. Num desnvolvimento normal, este processo acontece entre os 2/3 anos. (Altura em que o uso da chupeta também pode provocar alterações ortodônticas). Nesta fase, a criança já conquistou alguma autonomia, seja através da comunicação ou da locomoção, e pode recorrer a outros objectos transicionais, normalmente encontrados no brincar. Antes de lhe retirar a chupeta é importante que a autonomia já esteja conquistada e é possível estimular o desenvolvimento desta através do incentivo da linguagem, do andar e principalmente do brincar.

Quando retirar a chupeta, a criança deve senti-la como uma conquista e não como uma castração ou punição, por exemplo, “eu consigo!” ou ”já sou grande e crescido!”. Claro que a sensação de angústia é inevitável e, os pais têm que estar presentes, porque os pequenos vão precisar de muito apoio emocional. Infelizmente, o que acontece muitas vezes é que não são só as crianças que não conseguem deixar chupeta, mas também os pais. Pois, quando elas choram (e é nomal chorarem 2 ou 3 dias), a família associa à falta do objeto e acabam por devolve-lo.

É importante que durante este período todos os membros da família estejam em sintonia e se esforcem para ajudar o pequeno. Tentar explicar-lhe que se ele continuar a usar a chupeta vai ficar com os dentes tortos, geralmente, não costuma resultar, uma vez que ainda são muito pequeninos para entender as consequências. Alguns pais levam os pequenos ao dentista para que este explique os malefícios da chupeta, o que, a maior parte das vezes, também não resulta.

Então como se deve fazer? Aqui ficam algumas dicas que podem ajudar:
  • Reduzir gradualmente o tempo em que a criança usa chupeta, aumentando o intervalo de uso para que a necessidade se torne menor. Até consiguir restringir o seu uso apenas na hora de deitar;
  • Retire os cordões que prendem as chupetas na roupa e a deixam à mão-de-semear;
  • Os pais devem esconder a chupeta sempre que os pequenos estiverem distraídos; 
  • Durante a noite, quando o pequeno estiver a dormir profundamente, retire a chupeta da boca dele. (Para que perca o vício da sucção);
  • Fale com o seu filho, diga que já está grande e crescido e que não precisa da chupeta. (eles adoram ser crescidos);
  • Estabeleça um dia para acontecer a troca da chupeta por alguma coisa que ele queira. (pode ser no Natal, ou invete a fada das chupetas, à semelhança da fada dos dentinhos). Depois de o pequeno ter o que pediu não devolva a chupeta. (se não vai achar que pode tê-la sempre que quiser); 
  • Desapareça com todas as chupetas de casa e não caía em tentação quando o pequeno começar a chorar pela falta dela.
Notas importantes:

Informe na escolinha que está a tentar retirar a chupeta, para que professores e educadores trabalhem em conjunto neste processo.
  • Não tente retirar a chupeta se: 
  • está em mudanças, seja de escola, casa, etc...; 
  • está a tentar tirar-lhe a fralda; 
  • está no fim da gravidez ou teve um filho à pouco tempo; 
  • se o pequeno está doente; 
  • morte de um familiar.

Alguns livros que pode ler ao seu pequeno e que também podem ajudar:



3 comentários:

  1. Gostei muito do artigo. O G. já tem 25 meses e meio e ainda não estou a trabalhar nisso a 100% porque está numa fase muito rebelde, teimoso e birrento. São lutas diárias por tudo. Quer tudo à maneira dele, e como, obviamente, não pode ser, tem de ser contrariado muitas vezes e é o drama. É preciso ter um jogo de cintura que por vezes não há como o ter. Enfim... vou esperar a ver se ele acalma um pouco. bjs :)

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  2. Obrigada! Fico muito contente que tenha gostado.
    Quando decidi criar o blogue foi com o intuito de dar "pequenas" ajudas aos pais (e não só!). E uma vez que estou desempregada também é uma maneira de manter-me ocupada e, de certa forma, continuar a alimentar o meu amor pela profissão que escolhi. ;)

    Em relação ao que descreve do seu pequeno, são os terríveis 2 anos. É uma fase que geralmente começa por volta do ano e meio e pode ir até aos 3. É um período de grandes mudanças para o pequeno que agora, aos poucos, começa a entender-se com pessoa e indivíduo, com desejos e opiniões próprias e a tornar-se independente dos pais o que geram todas essas lutas de poder. E muitos conflitos interiores para o pequeno, acredite! Não se preocupe é apenas uma fase.
    Sim! é preciso ser contrariado, não só para entender que existem limites que não se podem transpor mas, também para que desenvolva resistência à frustração.
    Receita:
    Paciência, persistência, determinação e muito amor (que certamente não lhe falta).

    Beijos

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  3. Querida, Olga! Que boa surpresa este post! Fiquei mesmo feliz...e esclareci tantas coisas!
    "Retire os cordões que prendem as chupetas na roupa e a deixam à mão-de-semear". Mesmo! Muitas vezes é assim que agarra na chucha. Esqueço de tirar o cordão, e ela vê a "amiga" a mão de semear...já está!
    A minha M ainda não está na fase de compreender o conceito de estar crescida, por isso vou ter mesmo de andar a esconder a chupeta, na tentativa de reduzir o seu uso. Adoro a ideia dos livrinhos, mas penso que no nosso caso, não resulta. São só 22 mesinhos... :p
    Outra coisa muuuuuito interessante, está nos tópicos que indicam quando não fazer a tal retirada. Não fazia ideia! No nosso caso, estamos quanse a tentar o desfralde...por isso, talvez sejam "evoluções" a mais para a nossa pequena... :p
    Muito obrigada pela partilha, Olga! Adorei! :)
    Um beijinho grande

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