Ama-me


O conceito mais popular de amor envolve, regra geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objecto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação. 
Mas existe alguma explicação científica para o amor incondicional existente entre pais e filhos? 
Os cientistas afirmam que esse sentimento nasce durante a gestação, mas também cresce e torna-se mais forte nos primeiros meses de vida do bebé, graças a uma hormona chamada oxitocina. A oxitocina é segregada em tecidos cerebrais e sintetizada pelo hipotálamo e, tanto nos seres humanos como nos animais, este mensageiro químico estimula as contracções uterinas no trabalho de parto e induz a produção de leite para a amamentação do bebé. Aliás, segundo alguns cientistas, o sistema de vinculação nos mamíferos estará associado com a oxitocina. Isto porque foi encontrada em elevadas concentrações durante e após o nascimento e demonstrou-se que está envolvida na bioquímica do afecto. 
Mas será esta a unica responsável pelos laços de amor que unem pais e filhos? E quando o amor à primeira vista não acontece?
 Muitas das patologias da actualidade estão relacionadas com uma vinculação não segura ou com a desvinculação. A relação precoce entre a mãe e o seu bebé, que começou ainda no útero, vai determinar a qualidade de vida relacional de cada um de nós e tem um papel muito importante na nossa construção. 
A formação de pessoas felizes, inteligentes e integradas pode estar relacionada com o afecto nessa relação. Os possíveis desvios ou desencontros nesta interacção (mãe-bebé) poderão trazer, como consequências, diversas perturbações na riqueza da nossa vida afectiva. Daí ser importante estímular o amor.
 Pequenos gestos e atitudes como falar com o bebé, trocar olhares, sorrir, acariciá-lo, proporcionam intimidade entre ambos e como esta é a primeira relação estabelecida na vida de uma pessoa, tem um papel fundamental na construção do futuro desenvolvimento emocional e intelectual. Tais atitudes favorecem a troca, pois a dedicação da mãe é correspondida pelo bebé na forma de expressões faciais ou corporais que podem ser perceptíveis pelos olhos mais atentos. 
O desenvolvimento da inteligência, linguagem, percepção de si, dos sentimentos, reacções e capacidades são habilidades favorecidas pela interação afectiva da relação mãe-filho, que envolve sorrisos, olhares e movimentos corporais. 
Resumindo, é  somente, o ter sido apreciado e amado que nos possibilita o estatuto de possuir um bilhete de identidade psíquico, ser alguém, ser um rosto que contém e dá significado a uma pessoa, pois o que cada um de nós deseja é ser amado por aquilo que é, nem mais nem menos. E só amados por aquilo que somos, podemos amar-nos a nós próprios, ter um narcisismo saudável e mais tarde construir relações amorosas sólidas e gratificantes, bem como projectos de vida, sejam eles em termos profissionais ou de aspirações com as mesmas características.

3 comentários:

  1. Adorei!Muito bonito mesmo, parabéns e obrigada :)
    Beijinhos.
    Ah! Engraçado, hoje falei sobre a questão de gostarmos de nós próprios com os miúdos lá no J.I. onde trabalho, foi interessantíssimo.Assim que der, falarei nisso no meu blog.Achei o máximo e revi no seu texto coisas das quais hoje falámos.Bj

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    1. Obrigada Edien!
      Vou gostar de ler essa publicação. Ah! continuo sem conseguir comentar no teu blogue :(

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