A minha mãe tem depressão! E eu?


A presença da mãe para o desenvolvimento e crescimento da criança é de extrema importância. A mãe precisa de energia física e psíquica para acompanhar todas as etapas da vida do seu filho, protegendo-o, traduzindo o mundo e satisfazendo as suas necessidades.
É ela (a mãe) que dá a oportunidade do bebé conhecer o mundo, oferecendo o equilíbrio que a criança precisa para organizar todas as novidades que chegam diariamente. 
Se a depressão materna se instala, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto no desenvolvimento, seja comportamental ou psicológico, recai sobre eles. 
Desde o nascimento que bebé precisa da ajuda da mãe para conseguir sentir-se seguro, confiante e poder desenvolver-se motor e cognitivamente. Uma mãe depressiva nesta etapa torna-se ausente e empobrecida de estímulos para seu filho. O bebé pode demonstrar alguns sintomas de irritação com a atitude depressiva da mãe. É um bebé mais choroso, tem mais cólicas, não tem um contacto visual constante com sua mãe ou com estranhos. A interacção deste bebé com o mundo será precária e ele irá identificar-se mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre.
Uma criança com uma mãe depressiva apresenta maiores probabilidades de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, tal como a mãe.
As mães depressivas têm problemas em impor limites. Tanto podem ser demasiado permissivas, como rígidas. Esta dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade em relacionar-se com os seus pares, criando relações inseguras, desorganizadas e com problemas evidentes no comportamento.
Alguns estudos realizados demonstraram maiores índices de dificuldades escolares, seja por déficit de atenção ou distúrbios de aprendizagem, um maior comportamento de risco e um maior número de acidentes com os filhos de mães depressivas.
Um grupo de pesquisadores publicou um artigo na revista Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry que relatava o comportamento de adolescentes cujas mães apresentavam episódios depressivos. Verificou-se um maior número de consumidores de drogas ilícitas, iniciação precoce da actividade sexual e maiores taxas de abandono escolar. 
Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. Protecção, acolhimento, apoio e imposição de limites dados pela mãe são cruciais na formação e consolidação da personalidade das crianças.
Nestes casos o apoio da família, terapêutico e social é um importante suporte para que as mães depressivas possam exercer sua função de protecção em relação aos seus bebés.
Um pai presente poderá amenizar e diminuir os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos.
E quanto mais cedo a depressão for tratada, menor será o impacto no desenvolvimento das crianças.

3 comentários:

  1. Bom, eu tenho 14 anos. Minha mãe me teve muito jovem, aos 15 anos, meu pai tinha 19. Esse fato já faz mudar muito coisa, eu entendo que a gravidez na adolescência pode causar grandes mudanças no psicológico de uma mãe por diversos motivos, como familiares, questões de preconceito ambos os lados (pai e mãe), mas o lado bom disso tudo é que eles sempre estavam juntos nesta etapa, me criaram juntos, pelo menos ate os meus 12 anos. Eles se divorciaram, na minha cabeça eu não fiquei tão abalada, apenas no início; Agora já sinto muito a ausência do meu pai, minha mãe tem depressão, de certa forma ele ajudava nisso e entendia muito ela, já eu não sei confortá-la, quando vejo-a chorando por motivos não muito sérios, fico meio irritada e até me isolo confesso que fico muito triste. Vejo que minha mãe toma remédios, mas acho ela meio ausente (usa muito o celular também). Em fim, oque eu consigo ver nela é que: Ela não teve grande parte da adolescência claro, me criando, quer aproveitar esta fase da vida para ter oque não teve (tecnologia, namorados,festas). Não que ela seja ausente em casa, mas quando eu vou falar com ela, esta sempre chorando e fala que nao pode agora, admiro MUITO ela, por ser forte, batalhadora, hoje é enfermeira e advogada, conseguiu muita coisa na vida, nossas conversas sobre assuntos sexuais são abertas nao tenho vergonha de falar com ela sobre isso, oque considero bom, por ter muitos pais isolados ao assunto com os filhos. Então.... Haha falei demais sobre minha vida, mas... Achei o esse post muito bom, eu estava procurando saber se a depressão de uma mãe pode se agravar em adolescentes ou causar consequências. Me considero ter a "cabeça aberta " para as coisas, então acho que não teria como eu ter depressão, e acredito talvez poder ajuda-la não sei de que forma, mas quero.
    Desculpa ter falado tanto, =\ parabéns pelo post. Sei lá.

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    1. Me identifiquei com seu relato, minha mãe não conversa mais comigo (nunca conversou muito) e só passa no celular, que é motivo de briga caso eu toque. Ela recebe ligações estranhas e só fica chorando, não tenho preconceito nenhum caso ela esteja com depressão, a questão é que eu também já tive e ela não estava la em momento algum. Acho que estou me sentindo sozinha.

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    2. Me identifiquei com seu relato, minha mãe não conversa mais comigo (nunca conversou muito) e só passa no celular, que é motivo de briga caso eu toque. Ela recebe ligações estranhas e só fica chorando, não tenho preconceito nenhum caso ela esteja com depressão, a questão é que eu também já tive e ela não estava la em momento algum. Acho que estou me sentindo sozinha.

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