Hoje senti-me uma super mãe e apetece-me partilhar só porque sim

Hoje era dia de a Nônô ir ao ballet. O dia que a pequena nunca se esquece e lembra-me todas as manhãs: "mamã hoje é dia de ir ao ballet!" 
Fui buscá-la à escola, como faço todos os dias, e encontrei-a a dormir. Estava em cima de umas almofadas que carinhosamente as educadoras colocaram para que ficasse mais confortável. Estava num sono profundo, tão profundo que não consegui acordá-la. Pensei: "hoje é o dia de ballet, se não for vai ficar triste". Acordámos a Nônô. Ela não queria. Não queria sair dali e enroscava-se cada vez mais. Disse-lhe que era o dia do ballet e se não se despachasse não conseguia chegar a tempo da aula. Mas ela não fez caso, "Não quero, estou cansada!" Tive que a trazer ao colo (confesso que com alguma dificuldade por causa do Afonsini que tem a mania de fugir). 
A Nônô não estava alegre, sorridente e faladora como é hábito. Entre a quase birrinha e o desconforto visível, o pouco que falava era para dizer que não se sentia bem e que estava cansada: "Estou cansada, quero ir para casa". 
Hoje a Nônô não foi ao ballet. Não quis brincar, fazer desenhos, jogos ou ver livros. Chegou a casa e deitou-se no tapete da sala. Ficou ali. Não tinha apetite e mal jantou. Medi-lhe a febre, mas também não tinha. Acho que deve estar a "chocar" alguma. Preparei-os para dormir e, como faço todas as noites antes de adormecerem, li uma história. A Nônô, apesar de cansada, triste e rezinga, de cabeça encostada ao meu braço ouviu a história sem nunca interromper, e no fim, depois de a deitar e antes mesmo que me deixasse dar-lhe o beijo de boa-noite, abraçou-me e disse: "Amo-te muito mãe! És a mãe mais linda do meu coração. Sabes, eras tu a mãe que eu sempre sonhava ter! Não quero outra, só tu!"
Hoje eu não lhe dei um presente. Não lhe ofereci um doce. Não brincámos juntas nem fomos ao parque. Não lhe disse que era linda, nem que a amava. Não fiz um gesto diferente do habitual. Até acho que fui um bocadinho mais áspera quando a Nõnô fez birra e lhe disse para ter paciência que estavamos quase a chegar a casa. Hoje não fiz nada de especial com ou para a Nônô. Mas este gesto da pequena, fez-me sentir a melhor mãe do mundo e a mais especial de todas e... é isto!

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