Conselheiro real responde#1

Aparecem na minha caixa de correio algumas questões que, na sua maioria, têm a ver com as preocupações dos pais com os pequenos. Achei que poderia ser interessante, e porque há dúvidas que são comuns a muitos, começar a responder aqui em forma de post. Não prometo que venham cá todas parar ou que consiga responder a todos (infelizmente sou só uma). As minhas respostas serão dadas não só com base na minha opinião profissional, mas também terão um "cunho materno". O que acham da ideia? Vamos a isso?

Ora bem, e já que estamos a "abrir as hostes" ao novo ano escolar, muitos pais questionam-se sobre a idade com que os pequenos devem ir para a escola. A Inês Costa coloca a segunite questão:

"Qual a idade ideal, na opinião da Olga, para irem para a escola? Os 3 anos ou antes? Partindo do princípio que há a aleternativa de ficar em casa como é logico".

Há um tempo atrás muitos profissionais, principalmente na área da saúde mental, não hesitariam em dizer que a melhor idade para a criança ir para escola seria por volta dos 3 anos. O argumento era de que a criança até aos três anos precisaria apenas do amor dos pais e de cuidados exclusivos para se desenvolver. Além disso, o aconchego do seu espaço, a sua casa e a presença afectiva de pelo menos um parente seriam condições reconfortantes e estruturantes para o início de vida.

No entanto, e com o actual avanço das ciências (e ainda bem), sabemos que é difícil encontrar consensos. Hoje não é simples afirmar o mesmo que há décadas atrás e, por isso, não temos dados que garantam que, para o bom e saudável desenvolvimento da criança, o melhor é que ela fique dentro (ou fora) de casa nos 3 primeiros anos de vida. 

Na minha opinião, o importante é que sejam os pais a analisar o contexto de vida familiar e fazer uma escolha criteriosa e que tenham em conta, principalmente, a criança. Mas atenção, uma vez tomada a decisão devem sentir-se seguros dela. Se há um factor que pode atrapalhar a ida da criança para a escola na primeira infância é a ansiedade dos pais. Ela é transmitida para a criança, que percebe que algo não está bem. Isso gera consequências no seu comportamento e na possibilidade de desfrutar de novas situações, bem como no desenvolvimento do seu potencial.

As crianças são muito sensitivas e "absorvem" tudo à sua volta. Como é óbvio, não conseguem referir os motivos do que sentem, mas reagem a eles, ou seja, quando vão para a escola e choram, elas estão a transmitir, a maioria das vezes, a emoção ou a resistência que a mãe tem para a deixar na escola. Assim como quando resistem desesperadamente em ficar na escola, o mais provável é que os seus pais não estejam preparados para deixá-la, e não que ela não esteja pronta para esse período de separação. Atenção, é normal estes sentimentos por parte dos pais, pois qual o pai ou mãe, que deixa o seu filho na maior das tranquilidades num ambiente que nem ele próprio conhece e, ainda por cima, com pessoas desconhecidas? Muito poucos, garanto!

Por esse motivo a maioria das escolas têm (ou deveria ter) um período inicial, chamado de adaptação. Basicamente, durante os primeiros tempos, a escola convida mãe, pai ou responsável pela criança a acompanhar mais de perto a iniciação ao espaço escolar, bem como ir aumentando de maneira gradual o tempo em que a criança passa na escola. Esta estratégia permite que os pais estabeleçam um vínculo de confiança mais sólido com a escola, porque observam de perto os cuidados que os profissionais têm com as crianças e as actividades que elas realizam e, desse modo, ficam mais seguras com a sua decisão. Mãe segura igual a filho tranquilo, certo?

Se pudermos retirar alguma conclusão eu diria que é simples: as crianças menores de 3 anos podem desenvolver-se bem na escola, em casa, com amas ou parentes. O importante é que seja bem cuidada, o ambiente rico em afectos positivos e os seus pais tenham confiança nas pessoas.

1 comentário:

  1. Achei q tinha comentado! Mto obrigada Olga, gosto muito de a ler, assim como adoro as suas festas! Uma pessoa q gosto sem connhecer. A minha 'pequena' vai ficar mais um ano lectivo em casa. Gde Bj

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